Sua empresa investe em Dados, mas não sabe qual é o nível de maturidade?

Artigo publicado no canal Infor Channel em outubro/2026
Empresas de diferentes setores estão ampliando seus investimentos em Dados. Esse movimento é necessário, mas muitas organizações avançam sem conhecer claramente seu nível de maturidade em Gestão de Dados.
Como resultado, podem adotar novas tecnologias e continuar convivendo com problemas básicos. Indicadores não coincidem, Dados se repetem, informações são difíceis de localizar e a confiança nos relatórios permanece baixa. Em muitos casos, a operação ainda depende de planilhas e do conhecimento concentrado em poucas pessoas.
Investir em Dados não significa estar maduro em sua gestão. Maturidade é a capacidade de tratar os dados de forma organizada, coordenada e alinhada às prioridades do negócio. Isso exige estratégia, Governança, qualidade, arquitetura e clareza na definição das responsabilidades.
Uma empresa madura conhece seus Dados mais importantes, sabe quem responde por eles e identifica o que precisa ser priorizado. Também consegue relacionar seus investimentos aos objetivos estratégicos da organização.
Em empresas menos maduras, as iniciativas surgem de forma isolada. Cada área tenta resolver seus próprios problemas, contrata soluções e cria suas próprias bases. O resultado é um ambiente com muitos projetos, mas pouca integração.
Esse cenário é mais comum do que parece. Realizamos recentemente um levantamento que avaliou o nível de maturidade das instituições desde 2020, e o resultado mostrou que muitas organizações brasileiras ainda se encontram entre os níveis ‘Reativo’ e ‘Inicial’ em gestão estratégica de Dados.
No nível Reativo, a empresa age principalmente quando os problemas aparecem. Isso não significa ausência de iniciativas. Muitas organizações possuem bons profissionais, tecnologias relevantes e projetos importantes. O que falta é coordenação. As decisões dependem de poucas pessoas e as áreas trabalham com prioridades diferentes.
No nível Inicial, a organização começa a estruturar o tema. Cria algumas responsabilidades e desenvolve projetos mais organizados. Ainda assim, as práticas não estão consolidadas e os resultados dependem muito do esforço individual das equipes.
Conhecer a maturidade ajuda a evitar investimentos mal direcionados. Uma empresa pode contratar uma plataforma de catálogo sem ter definido responsabilidades, ter iniciado projetos de Inteligência Artificial sem conhecer a qualidade dos Dados, ou ainda ter ampliado o ambiente analítico sem resolver divergências entre as áreas.
A tecnologia amplia a capacidade de processar e utilizar informações, mas não substitui estratégia, Governança ou clareza de responsabilidades.
Uma avaliação de maturidade ajuda a compreender a situação atual, identificar lacunas e definir uma sequência realista de evolução. Seu objetivo não deve ser apenas gerar uma nota ou comparar a empresa com outras organizações.
Uma avaliação consistente precisa verificar se as práticas existem de fato, se estão incorporadas à operação e se produzem resultados. Mais importante do que identificar um nível de maturidade, é preciso compreender o que limita a evolução da empresa e o que deve ser priorizado.
Esse diagnóstico também evita que a organização tente avançar em todas as frentes ao mesmo tempo. Nem sempre a prioridade será adquirir uma ferramenta. Em alguns casos, será necessário definir uma estratégia. Em outros, melhorar a qualidade dos dados, organizar responsabilidades ou documentar melhor a arquitetura.
A ordem das ações depende da realidade de cada organização. Por isso, avaliar a maturidade não deveria significar apenas responder a um questionário. É preciso analisar evidências, documentos, processos, entrevistas e a forma como os Dados são usados nas decisões.
As respostas formais nem sempre mostram a situação real. Uma empresa pode afirmar que possui uma política de dados, mas esse documento pode ser pouco conhecido ou não estar incorporado aos processos. A mesma afirmação vale para comitês, papéis, indicadores e ferramentas. Sua existência não garante efetividade. A maturidade aparece na forma como as decisões são executadas, os problemas são tratados e os investimentos são priorizados.
Também é importante compreender que nem todas as organizações precisam atingir o nível mais alto de maturidade. O estágio desejado depende da estratégia, da complexidade, dos riscos e do papel dos Dados no negócio.
Empresas altamente dependentes de Dados precisarão desenvolver capacidades mais avançadas. Outras podem alcançar bons resultados com estruturas mais simples, desde que adequadas às suas necessidades.
Conhecer a maturidade permite definir onde evoluir, quanto investir e quais resultados buscar. Também reduz o risco de projetos desconectados e de aquisições que consomem recursos sem resolver os problemas mais relevantes.
As organizações continuarão investindo em Dados, Analytics e Inteligência Artificial. A questão é saber se esses investimentos estão sendo feitos sobre uma base capaz de sustentá-los.
Antes de ampliar os investimentos em Dados, a empresa precisa conhecer e responder com clareza o seu nível de maturidade. Sem esse diagnóstico, fica mais difícil definir prioridades, direcionar recursos e evitar que novas iniciativas repitam problemas que já existem.
Sem essa resposta, o risco é continuar investindo muito, avançando pouco e convivendo com os mesmos problemas.
Por Bergson Lopes, fundador e sócio-diretor da BLR Data, vice-presidente da Dama Brasil.















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